segunda-feira, 30 de março de 2009

Me arrisquei na poesia (por um filho a gente faz qualquer coisa!)

Para Leila (ou Antes de você chegar)

Minha bailarina de porta-jóias
Quando eu abrir a caixa
E a sua música tocar
Quem vai resistir sem lágrima
Ao seu giro e ao seu som?

Minha noite estrelada – Leila
Fio de luzinha, laço de fita e de ligação
Lê nos meus lábios
Eu ainda não sei falar, mas
A palavra, como o amor, viaja pelo cordão?

Linda, little Leila
Árvore que me reparte, arte e raiz
Eu brinco de ser planeta
Enquanto você me inventa, eu sou aprendiz

Cuco de reloginho
O seu conjunto de perfeições
Bate à noite e gira as engrenagens
Eu conto os tiquetaques inquieta
Esperando a manhã da nossa viagem

Você vem, depois de moldar o meu mundo
Aparar minhas arestas
Combinar o redondo a ângulos de letras em nanquim
Escrever em mim com as curvas dos olhos que eu nunca vi.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Terceiro trimestre: treino para padecer no paraíso

Contabilizando: 35 semanas de gestação, 8,5 kg a mais e uns 250 anos a mais de experiência de vida. Desses 250 anos, alguns fatos e sensações curiosas que consigo pôr em palavras:

-A fome de leão continua: não conheço a tão famosa azia das grávidas, e meu estômago ainda está liberado para encher bem;

-Mas já descobri o que é um pé empurrando o estômago pelo lado de dentro (do corpo, não do estômago, porque eu não engoli a criança!), por alguns momentos. Foi fácil reconhecer: é parecido demais com o que seria pelo lado de fora;

-Muito leite, queijo e o consequente (agora sem trema) fornecimento de cálcio à vontade na dieta dão nisso: os ossos da criança já estão durinhos e dá para sentir quinas, articulações e diversos outros empecilhos na hora de tentar me acomodar na cama....O bebê podia ser emborrachado até nascer e depois dar uma endurecida, que tal?

-Coisa incrível é a natureza humana: a tudo se acostuma. Movimentos, sacolejos, chutinhos internos, andar com uma espécie de balde d´água na barriga, tudo isso já parece até fazer parte de mim. Quando não tiver mais, capaz de eu estranhar;

-Já a liberdade de poder me abaixar, amarrar sandálias, tirar cutícula das unhas dos pés, (além de outras) situações em que um bocado de flexibilidade extra ajuda bastante, ah, isso está fazendo falta;

-Lista de lamúrias: varizes, peso nas pernas (tentei ser mártir e usar meias Kendall no verão carioca, mas o meu masoquismo não chegou a esse extremo ainda); calor além do humanamente tolerável, celulites novas sorrindo para mim, deselegância por sentar só de pernas abertas....Essas são só as lamentações novas, tem as velhas que permanecem, acho que vcs até já conhecem: vontade de fazer xixi toda hora, muito sono, muita fome...

-Mas a descoberta do sentido da expressão “paraíso” em “padecer no ...” é surpreendente: uma visão de bochecha, lábios e uma ligeira sugestão de fisionomia (parece com o pai?) do bebê na ultrassonografia (hífen aí nunca houve, voltou ou caiu?) conseguem elevar a satisfação a patamares pouco conhecidos. E se aqui eu estou escrevendo pouco claramente mesmo, além de falta de habilidade, é que é muito difícil de descrever!!!!

-A Leila já tem personalidade: gosta de dormir com o balanço do caminhar, mas quase o resto do tempo todo ela se sacode (o que me faz imaginar se eu vou ter que comprar um burrico e pôr um cestinho em cima com ela dentro para conseguir que ela durma depois de nascida). Também presta muita atenção à voz do pai, voltando o corpinho e dando chutinhos para o lado de onde vem a misteriosa voz, mas não liga para a minha voz nem para a da avó, que está revoltada!

-O papai do bebê incrivelmente elogia minha silhueta, o que cada vez me dá mais vontade de rir (mas no fundo eu me sinto sortuda e gosto dos elogios)!

- Nessa fase, ele parece sentir a criança de maneira muito mais concreta, já tem umas brincadeiras e uma maneira de comunicar-se com ela toda própria, é divertido ficar vendo. Às vezes eu até fico meio “de fora” (tentando dormir, por exemplo) da situação ali só de pai para filha...

-Comprar, comprar, comprar! Foi uma delícia me entregar sem culpa ao consumismo nas lojas de móveis, enfeites, roupinhas, lacinhos...

-A ansiedade está batendo porque o quartinho não está todo arrumado, a mala da maternidade não está pronta (essa vai estar em breve, calma!).... Atenção mamães de primeira viagem, não confiem nos prazos de entrega de móveis infantis de jeito nenhum, e deixem uma margem de prazo para peças que vêm faltando, montador que enrola muito etc...a sua sanidade mental agradece!

- Parto: nessa altura do campeonato, já estou empolgada para ir para maternidade como quem conta os dias para uma festa importante. Afinal, é lá que eu vou ver finalmente a carinha da neném! Para o que vai se passar nas horas que antecedem esse momento eu espero já estar preparada, e depois tudo é experiência, e vamos lá, sem medo de ser feliz!

- O futuro já vai começar: banhos, fraldas, noites de choro...a adaptação a uma nova fase da vida. Que venha!